Região da 44 já registra fechamento de lojas e perda de empregos

Com mais de 50 dias de suspensão do comércio na Região da 44, em virtude das medidas de combate à Covid-19, shoppings e galerias do polo comercial já registram entrega de pontos de vendas por lojistas que não conseguem mais manter seus negócios. De acordo com levantamento feito pela diretoria da Associação Empresarial da Região da 44 (AER44), já há uma estimativa de que ao menos 10% dos micro e pequenos empreendedores tenham entregado seu pontos e outros 15% estão negociando a entrega.

“Essa situação só tende a agravar porque a prefeitura, além de não avaliar as medidas que sugerimos, todas elas preconizadas pelo Ministério da Saúde e pela OMS [Organização Mundial de Saúde], não dá sequer uma previsão de data”, afirma Jairo Gomes, presidente da AER44.

Jairo lembra que mais do que lojas fechadas isso significa perda de empregos, cada loja emprega direta e indiretamente de quatro a seis pessoas. “Temos hoje cerca 14 mil pontos de vendas, e 10% disso já representa 1,4 mil lojas fechadas, o que se reflete no mínimo em mais de 5 mil empregos perdidos”, explica o presidente da AER44.

Jairo Gomes informa que tem pré-agendada para amanhã (06) uma reunião com a Comissão de Enfrentamento da Covid-19 de Goiânia.

“Até o momento não tivemos a confirmação do horário. Apesar da boa vontade que o prefeito Iris Rezende demonstrou em negociar com o fórum empresarial da 44, essa comissão só recebeu o nosso ofício com as sugestões para um retorno seguro, mas até o momento não se reuniu com a gente.”

Jairo lembra que a indefinição sobre uma flexibilização do comércio na 44 já tem trazido outros problemas, além dos econômicos.

“Os vendedores ambulantes, que não têm condições de fazer o comércio na Região de forma segura, começam a novamente invadir a Região. Causando aglomerações e vendendo mercadorias sem qualquer protocolo de higienização. Diferente dos camelôs, os shoppings e galerias têm sim condições de retomar de forma responsável com as devidas medidas preconizadas pelas autoridades de saúde. Aliás, já estamos fazendo isso”, destaca Jairo, que ainda diz: “Ao não definir uma data ou sentar para negociar uma flexibilização estão punindo quem trabalha de forma legal e está cumprindo as regras de distanciamento social, e dando espaço a quem não tem compromisso com a segurança do grande público”, protesta o presidente da AER44.

Demissões
O empresário Lucas Henrique que tem uma confecção no Jardim Nova Esperança, em Goiânia, e sete lojas na Região da 44 conta que antes da pandemia estava com 48 colaboradores, hoje está com apenas 19 funcionários. “Infelizmente precisamos dispensar, não conseguimos manter esses empregos. 90% do nosso público são os turistas de compras da Região. Estamos até tentando vender alguma coisa pelas redes sociais, mas mal chega aos 10% do nosso faturamento normal”, afirma Lucas.

A empresária Vanessa Márcia de Assis, que junto com o marido, tem uma confecção de moda masculina e duas lojas na Região da 44, ela também lamenta mas diz que precisou dispensar funcionários. “Antes do fechamento da região estavamos com 12 colaboradores, hoje estamos só com dois. A gente até espera e torce para recontratar as pessoas de novo, mas sem uma data sequer de quando voltar, a gente não consegue nem se planejar para isso”, argumenta.

Vanessa conta também que tem sido cobrada das compradoras de outros estados, já que segundo ela, muita gente vive de vender as roupas que compra na Região da 44. “Todo dia recebo ligação e mensagem de sacoleiras que também estão passando por necessidade e nos perguntar quando irá reabrir, mas não temos resposta”, conta.

Medidas
O presidente da AER44, Jairo Gomes, destaca que os empresários da região estão com total disposição uma retomada responsável da Região da 44, que emprega mais de 150 mil pessoas diretamente e é o segundo maior polo de distribuição de moda do Brasil. “Queremos deixar bem claro que os shoppingins e galerias da 44 estão sim prontos para reabrir de forma segura. Os empreendimentos inclusive abrem, no momento, de receber as caravanas de compras, que representa quase que 70% do nosso público”.

O líder empresarial lembra que a simples reabertura das lojas não poderá configurar aumento de aglomerações de pessoas. Ele cita inclusive dados nacionais da Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), que apontam que no último sábado (2) 66 estabelecimentos em 41 municípios de 11 Estados foram reabertos. A grande maioria dos lojistas apontaram uma queda de 80% nas vendas e fluxo de clientes.

“Estamos insistindo numa reabertura, ao menos de forma flexibilidade, porque senão daqui há pouco tempo será tarde para a grande maioria dos negócios aqui na região. Por a não definição de ao menos uma data é, no mínimo, um descaso por parte da prefeitura com a 44, que tão logo foram decretadas as medidas de restrição foi parceira”, contesta Jairo Gomes.

Selo
O presidente da AER44 lembra que as medidas protetivas e preventivas propostas para a retomada segura da Região da 44 foram baseadas no que preconiza a Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde, como por exemplo, limpeza e desinfecção diária das ruas e calçadas do pólo comercial, obrigatoriedade do uso de máscaras por todos os funcionários dos empreendimentos e por lojistas, disponibilidade de álcool em gel nas entradas de todos shoppings, galerias e hotéis.

Jairo destaca uma outra medida que está sendo sugeria e irá reduzir em mais da metade o fluxo de pessoas na região e com isso coibir as aglomerações. “Já informamos e alinhamos com os guias e organizadores de excursões, que a Região da 44 não poderá, momentaneamente, receber caravanas de turistas de compras vindas de outros estados. Só ai devemos ter uma redução de 70% do fluxo de pessoas na região”, alega o líder empresarial.

O presidente da AER44 explica ainda que será criado um selo de adequação para uniformizar todos os procedimentos que deverão ser adotados em empreendimentos da região. Para colocar isso em prática todas as medidas serão orientadas e supervisionadas por um médico infectologista até o final e maio. “A nossa preocupação segue sendo com as pessoas, seja prevenindo contra a Covid-19, ou lutando para manter os empregos e as oportunidades de renda geradas pela Região da 44”, afirma Jairo Gomes.

Confira medidas que estão sendo sugeridas para a volta ao funcionamento da 44, de forma segura e responsável.

– Criação de Selo Sanitário para identificar os empreendimentos que seguem rigorosamente o protocolo sanitário de combate à pandemia da Covid-19;
– Restrição temporária de caravanas de compras;
– Lavar e sanitizar (diariamente) ruas, calçadas e empreendimentos;
– Pintar com cal todos os meios-fios da Região, contribuindo para a higiene e padronização de limpeza;
– Acesso a um funcionário por loja;
– Uso obrigatório de máscaras para lojistas e funcionários de todos os empreendimentos.
– Instalação de tapetes higienizadores nas entradas de todos os empreendimentos;
– Disponibilização de álcool em gel em todas as entradas, de todos os empreendimentos, com colaboradores treinados para orientação de trabalhadores e visitantes;
– Colaboradores com mais de 60 anos e outros que fazem parte do grupo de risco permanecerão em casa;
– Contratação de consultoria de um médico infectologista para assessorar a AER44 por um período entre 15 e 30 dias, e acompanhar a efetividade das medidas tomadas e orientando quanto a ações adicionais;
– Distribuição de máscaras reutilizáveis para todos os funcionários e lojistas da Região;
Informar e dar publicidade das medidas a serem tomadas por meio de todos os meios disponíveis (rádios internas, carros de som e mídias sociais).

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